Nicho

Que tal deixar os perfumes mais comerciais de lado e dar uma espiada no que acontece no mercado de nicho sem fazer dívidas?

Perfumes de nicho podem ser fascinantes porque existe um compromisso maior de quem os cria (os perfumistas) para com a qualidade e a originalidade da fórmula. Perfumes designers (encomendados por estilistas) acabam carecendo de inventividade, já que são responsáveis por subsidiar a venda de roupas e têm pouco espaço para riscos. É mais fácil seguir a receita de receitas bem sucedidas do que se aventurar em conceitos ousados.

Neste artigo vou propor cinco opções de fragrâncias de nicho com ótima relação custo/benefício para uma abordagem inicial neste inexplorado segmento da perfumaria. Todos eles podem ser encontrados pelo preço de um Chanel ou Dior.

 

Anick Goutal

Eau d’Hadrien (Annick Goutal)

Talvez a marca de nicho mais acessível (tanto em preço quanto em distribuição) da perfumaria, Annick Goutal soube conquistar seu espaço desde quando foi fundada em 1981. Seu carro-chefe, Eau d’Hadrien, foi inspirado na obra “Memórias de Hadrien” de Marguerite Yourcenar. Annick plantou um jardim que pudesse evocar o espírito do sul da Itália e combinou notas de frutas cítricas e cipreste para sua mais conhecida criação. Simples em sua complexidade, Eau d’Hadrien é tudo menos um perfume cítrico comum.

 

Comme des Garcons

Comme des Garçons 2 Man

Apesar de ser uma marca de roupas, a marca japonesa Comme des Garçons (do francês “como meninos”) transportou seu conceito anticonvencional também para sua linha de fragrâncias. Lançado em 2004, 2 Man traz em sua composição notas de vetiver, incenso, couro, madeiras e aldeídos de numeração ímpar (que dá aquele cheiro de vela apagada com um toque cítrico). Essa combinação gera um aspecto quase tridimensional à fragrância, que parece surgir em alto relevo na pele. Impossível ficar indiferente a ela.

 

Fleurs de Bois

Fleurs de Bois (Miller Harris)

Fundada pela inglesa Lyn Harris em 2000, Miller Harris é uma casa de nicho que tem como lema trazer a arte da perfumaria francesa para os tempos modernos. Suas criações evocam a natureza e uma delas em particular, Fleurs de Bois, se sobressai. Esta é uma fragrância com cheiro de floresta, trazendo o frescor das flores e ervas do bosque e o conforto da madeira (sândalo, patchouli, carvalho e vetiver). Se você não pode largar tudo para fazer uma viagem de acampamento, aplique Fleurs de Bois na pele.

 

Tom

Tom of Finland (État Libre d’Orange)

Este perfume é o equivalente olfativo da arte homoerótica pela qual ficou famoso o artista finlandês Tom of Finland. É uma fragrância que transmite o lado vaidoso (notas aromáticas de limão, gerânio, pinho, aldeídos, cipreste e vetiver) junto ao lado sensual (notas doces de baunilha, amêndoas, coco, resinas e especiarias) e ao lado animal do homem (notas táteis de couro, camurça, bétula, almíscar e ambergris). Dizem que tem cheiro de clube de sexo, mas isso eu não poderia confirmar.

 

Juliette Has a Gun

Calamity J (Juliette Has a Gun)

Embora Juliette Has a Gun seja uma marca feminina, sua criação Calamity J é bastante unissex. Diferente dos outros perfumes da linha, Calamity J não é ancorado em uma nota de rosa. Esta é uma fragrância que traz em primeiro plano o acorde âmbar-patchouli, tendo como coadjuvantes o almíscar (aspecto macio), além da íris (aspecto atalcado) e da canela (aspecto especiado). É delicado é sexy. É metrossexual.

Perfumaria de nicho nem sempre é cara, mas pode ser exclusiva. Hoje em dia com o eBay, porém, não há mais desculpas. Abuse do Google e encontre essas belezuras por um preço até mais em conta que um perfume designer. Ninguém precisa saber se você comprou um nicho em Paris ou se importou pelos correios. Eles que se nichem.

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Daniel Barros
Perfumes Old School

 

Muitas são as interpretações para a expressão “old school”, mas eu simplesmente acho que é um eufemismo para “antiquado”. Ou seja, quando falamos que um perfume é “old school”, é porque ele é de outra era. Nas minhas pesquisas, percebi que as fragrâncias desta categoria têm em comum dois tipos de notas: musgo de carvalho e as animálicas (castoreum e civet). Não é coincidência – afinal estas notas sofreram nas últimas décadas inúmeras restrições por conta de reações alérgicas em seres humanos. Mas não é só uma questão farmacológica – notas intensas como as de musgo ou animálicas saíram de moda na entrada da década de 90, quando o mundo pediu perfumes mais frescos como o icônico CK One.

 

Equipage Review Resenha

Equipage (Hermès)

Este foi o primeiro perfume da casa Hermès (lançado em 1970) e é um dos mais diferentes que já provei. Equipage é uma fragrância amadeirada esfumaçada (vetiver) com notas herbáceas (musgo, pinho e sálvia) e condimentadas (cravo-da-índia, canela e noz moscada).  Impossível de passar despercebido pelo seu poder de projeção e silagem, não é para todos. Este perfume tem um aspecto ultra masculino e projeta a imagem de um fazendeiro de posses ou talvez aquele seu tio que fuma charuto e vê Bonanza, sem se importar com o que dizem.

 

Armani Review Resenha

Armani Pour Homme

Lançada em 1984, esta fragrância lembra bem o Eau Sauvage de Christian Dior. É um clássico cítrico com especiarias e madeiras, repleto de notas tipicamente masculinas como manjericão, lírio, noz moscada, patchouli, cravo-da-índia e musgo de carvalho. Apesar de não ter uma composição pesada, Armani Pour Homme transmite uma “vibe” de senhor de terno de corte clássico e gravata larga. Infelizmente este perfume peca um pouco em sua longevidade e precisa ser reaplicado de quatro em quatro horas. Não recomendado para portadores de Alzheimer.

 

Heritage Review Resenha

Heritage (Guerlain)

Heritage foi composto por Jean-Paul Guerlain em 1992, mas parou no tempo. Heritage é uma daquelas fragrâncias com dezenas de notas e que se desabrocha folha por folha. Primeiro você sente uma onda de acordes verdes, cítricos e aldeídicos (cheiro de sabonete ou tinturaria). Depois a composição revela notas florais (íris, rosa, jasmim, cravo, gerânio, lírio-do-vale) e especiadas (noz moscada, pimenta, coentro, pimenta vermelha). Finalmente, aparecem as notas amadeiradas (cedro, âmbar, musgo de carvalho, sândalo, vetiver e tonka) e uma baunilha, que lhe garantem uma secagem espetacular.

 

Jazz

Jazz (YSL)

Existe algo de quase terapêutico nesta criação de Yves Saint Laurent de 1988. O próprio nome do perfume nos remete e algo tranquilo e um pouco nostálgico. Jazz é um fougère que se diferencia por seu aspecto herbáceo (Artemísia) e seco/terroso (musgo de carvalho). Abre com o frescor da lavanda, passando rapidamente para notas de tabaco, noz moscada, couro, absinto e cedro. Na secagem apresenta seu lado mais doce de âmbar com almíscar. É masculino, elegante e confortável.

 

Givenchy Perfume Review Resenha

Givenchy Gentleman

Lançado em 1974 pela casa Givenchy, este é um perfume amadeirado terroso. Quem não curte patchouli (folha com cheiro bem seco, quase como cacau), não vai curtir Gentleman. A composição vale-se ainda de notas de couro, vetiver, rosa, canela e mel em perfeita harmonia. A versão vendida nas lojas não apresenta mais a nota de civet da versão original, que era mais animálica. Séria, madura e sofisticada, Gentleman não deixa de ser uma boa fragrância para homens de peito cabeludo, jaqueta de couro e Harley Davidson.

Vale mencionar ainda outros excelentes perfumes “old school” já resenhados em outros TOP 5: Polo de Ralph Lauren (couro pinhoso), Antaeus de Chanel (musgo animálico), Aramis (couro amadeirado),  Azzaro (lavanda anisada) e Kouros de Yves Saint Laurent (couro animálico).

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Daniel Barros
Perfumes de Baunilha

 

Estamos no pico do inverno e uma nota desponta como a favorita por homens e mulheres: a baunilha. Originária do México, a baunilha é extraída da orquídea da família Vanilla e utilizada há milênios para adoçar bebidas e alimentos. Na perfumaria a baunilha apareceu pela primeira vez em grande estilo sintetizada (já que a baunilha extraída naturalmente é caríssima) no lançamento do Jicky pela Guerlain em 1889 – a primeira fragrância moderna da história. Na perfumaria atual, a baunilha aparece para dar um ar de conforto (porque nos remete à infância) ou sensualidade (porque pode tornar gostosa uma pessoa).

 

Perfumes de Baunilha

Fahrenheit 32 (Dior)

Fleur du Male de Jean-Paul Gaultier e Fahrenheit de Dior foram lançados quase que um em seguida do outro. Ambos são apoiados no acorde baunilha e flor-de-laranjeira e vêm para suprir a demanda por fragrâncias masculinas florais. Na verdade, apesar da folha de violeta e vetiver em comum, o Fahrenheit tradicional e o 32 têm pouco em comum. Se você não curte o primeiro, prove o segundo. Romântico e sensual, fresco e doce. São dois perfumes pelo preço de um.

 

Perfumes de Baunilha

Pi (Givenchy)

Há muito tempo desisti de entender o nome deste perfume e o porquê de um frasco tão enigmático. Motivo? O líquido pra mim já basta. Pi foi um dos primeiros perfumes gourmands (talvez por isso o design futurístico?) e ainda é muito vendido mundo afora. Pense em amêndoas açucaradas em formato líquido e que possam ser aplicadas na nuca sem atrair formigas. E pense também que esse aroma dure mais de oito horas a fio. Agora pare de pensar e vá comprar um frasco de Pi para aproveitar bem nosso curto inverno.

 

Gaultier

Gaultier 2

Jean-Paul Gaultier é simplesmente incapaz de lançar um perfume convencional. Desta vez o estilista encomendou uma fórmula unissex que fosse doce e moderna. Ancorado em âmbar e baunilha, este perfume vai além da doçura – notas de almíscar dão uma maciez quase erótica à fragrância, enquanto uma baunilha licorosa acrescenta boa dose de ousadia. Na secagem, Gaultier2 tem um aspecto quase de chiclete, mas não chega a desandar. Ideal para temperaturas mais frias, deve ser usado com moderação.

 

Caron

Pour un Homme (Caron)

Esta é a sugestão “old school” da lista. Caron é uma marca pouco conhecida no Brasil, mas criadora de várias obras-primas perfumísticas. Esta fragrância é bem simples e linear, construída num acorde baunilha-lavanda e preenchida com muito almíscar. Mas não se engane – a quantidade de notas não determina a qualidade de um perfume. Esta é a lavanda perfeita combinada com a baunilha ideal numa perfeita harmonia entre o fresco e o quente. O slogan de Pour un Homme nos anos 50 o resume bem: “um perfume estimulante e penetrante”. 

 

Versace

Versace (Eros)

No outro extremo, Eros entra na lista como a sugestão mais moderna. Se você conhece e acompanha o design da marca Versace, já pode imaginar que tipo de fragrância seja essa. Donatella Versace queria que Eros transmitisse o DNA da casa, ou seja, com a sensualidade masculina sempre em primeiro lugar, tendo como fundo símbolos da Grécia antiga. Além da baunilha como nota principal, esta fragrância traz o frescor da menta, do limão siciliano e da maçã verde. A molécula sintética ambroxan entra para dar a maciez que todo herói da mitologia grega merece.

Outras opções para os amantes da baunilha: Minotaure de Paloma Picasso (baunilha frutada e amendoada), Le Male de Jean-Paul Gaultier (baunilha alavandada e amendoada), Eau des Baux de L’Occitane (baunilha herbácea e incensada), Allure de Chanel (baunilha frutada e condimentada) e Jicky de Guerlain (baunilha cítrica e alavandada).

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Daniel Barros
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